O que é a ANSR
Natureza jurídica, missão, visão, valores e atribuições. Uma Autoridade que concentra num único serviço a política de prevenção e segurança rodoviária e o processamento contraordenacional.
Planear e coordenar a política nacional de segurança rodoviária — e aplicar o direito contraordenacional rodoviário. Duas atribuições, uma finalidade: menos mortos e menos feridos graves nas estradas portuguesas.
Da identidade institucional ao diagnóstico, do diagnóstico às medidas, e das medidas à estratégia que as enquadra.
Natureza jurídica, missão, visão, valores e atribuições. Uma Autoridade que concentra num único serviço a política de prevenção e segurança rodoviária e o processamento contraordenacional.
O organograma em vigor: Presidência, órgãos de apoio, duas unidades orgânicas, seis divisões e os núcleos que as compõem. Explorável, unidade a unidade.
Sete anos de dados: onde, quando, com quem e em que circunstâncias — e um explorador para interrogar os dados em qualquer dimensão.
O acidente urbano por excelência: tendência 2019–2025, localização, escuridão e perfil etário da vítima — e um aprofundamento ao detalhe do 1.º semestre de 2026, com georreferenciação ao acidente.
As medidas de cofinanciamento com os municípios previstas na ENSR — e as prioridades complementares que os dados sugerem.
A abordagem do Sistema Seguro, a Estratégia Nacional de Segurança Rodoviária e o Plano de Ação 2026–2027 que a executa.
Natureza jurídica, missão, visão, valores e atribuições.
A ANSR foi criada no quadro da reorganização do Ministério da Administração Interna, para concentrar num único organismo as funções do Estado em matéria de prevenção e segurança rodoviárias.
Concentram-se na ANSR as atribuições da extinta Direção-Geral de Viação respeitantes às políticas de prevenção e segurança rodoviária e de processamento de contraordenações, assim como as do também extinto Conselho Nacional de Segurança Rodoviária e das Comissões Distritais de Segurança Rodoviária.Decreto-Lei n.º 77/2007, de 29 de março — preâmbulo
Criada pelo Decreto‑Lei n.º 77/2007, de 29 de março, no quadro da nova orgânica do Ministério da Administração Interna. A orgânica foi posteriormente revista.
Serviço da administração direta do Estado, na dependência do membro do Governo responsável pela área da administração interna.
A mesma entidade que planeia, coordena e monitoriza a política de segurança rodoviária é a que assegura a aplicação do direito contraordenacional rodoviário.
Uma formulação legal e uma aspiração institucional — e é da primeira que decorre toda a estrutura interna da Autoridade.
Planear e coordenar, a nível nacional, a política de segurança rodoviária, apoiando a ação governamental e aplicando a legislação sobre contraordenações rodoviárias.
São duas as atribuições nucleares que esta formulação contém — e é sobre elas que assenta a divisão da Autoridade em duas unidades orgânicas: a UPSR, para o planeamento e a coordenação; a UFTC, para a fiscalização e o processo contraordenacional.
Ser uma entidade de referência na promoção de uma mobilidade segura e sustentável.
Reduzir a sinistralidade rodoviária e fomentar uma cultura rodoviária responsável. Não é uma declaração de intenções: traduz-se em metas quantificadas — menos 50 % de vítimas mortais e de feridos graves até 2030, e zero até 2050.
Não são adornos de apresentação: são critérios de decisão numa entidade que, simultaneamente, define política pública e aplica sanções.
Atuação com rigor técnico e conhecimento especializado. A política de segurança rodoviária fundamenta-se em evidência, não em perceção.
Promoção da confiança através da transparência e da imparcialidade — condição de legitimidade de quem aplica o direito contraordenacional.
Articulação com entidades nacionais e internacionais: forças de segurança, municípios, gestores de infraestrutura, instâncias europeias.
Incentivo à responsabilidade individual e coletiva. Nenhum sistema seguro dispensa o comportamento de quem circula.
Da definição da política à aplicação da sanção — e é esta amplitude que explica a estrutura interna da Autoridade.
É desta dupla natureza que decorre a organização interna da Autoridade — e é da sua articulação que depende o resultado.
Definição, monitorização e avaliação da política pública de segurança rodoviária: estratégia nacional, planos de ação, dados de sinistralidade, engenharia e inspeção da infraestrutura, educação rodoviária e cooperação externa.
Aplicação do direito contraordenacional rodoviário: fiscalização do cumprimento das disposições sobre trânsito, processamento e gestão dos autos, e uniformização da ação fiscalizadora das demais entidades.
O organograma em vigor, explorável unidade a unidade.
Clique em qualquer caixa para ver a sua composição. Use os atalhos para focar cada bloco, arraste para deslocar e amplie com a roda do rato.
Sete anos de dados. Onde, quando, com quem e em que circunstâncias.
243 582 acidentes com vítimas entre 2019 e 2025 — cerca de 95 por dia. E, em média, mais de uma vítima mortal por dia, todos os dias, durante sete anos.
acidentes com vítimas, 2019–2025
+4,7 % face a 2019vítimas mortais a 24 horas
−13,5 % face a 2019feridos graves a 24 horas
+13,1 % face a 2019feridos ligeiros
a par do aumento de acidentesApós a quebra de 2020 e 2021, associada às restrições à mobilidade, a série retomou e ultrapassou o nível de 2019.
As vítimas mortais descem; os feridos graves sobem — e são estes que dominam a soma que a Estratégia se compromete a reduzir.
79 % dos acidentes ocorrem dentro das localidades — mas as vítimas mortais dividem-se quase ao meio. São dois problemas distintos, que exigem respostas distintas.
Repartição de acidentes, vítimas mortais e feridos graves, 2019–2025.
À direita de cada barra, o índice de gravidade: vítimas mortais por 100 acidentes com vítimas.
Peões, ciclistas e utilizadores de veículos de duas rodas a motor não têm carroçaria que os proteja. É sobre eles que a energia do impacto se descarrega diretamente.
das vítimas mortais são utilizadores vulneráveis (1 525)
dos feridos graves são utilizadores vulneráveis (10 046)
peões mortos e 2 828 gravemente feridos
das vítimas mortais são homens
Os peões constituem categoria própria. Só o veículo ligeiro supera, isoladamente, o conjunto dos motociclos.
A vermelho, os escalões a partir dos 70 anos: concentram 19 % das vítimas mortais.
A frequência segue a exposição: circula-se mais de dia e com bom tempo. A gravidade segue outra lógica — e é a gravidade que a Estratégia se compromete a reduzir.
À direita de cada barra, as vítimas mortais por 100 acidentes com vítimas.
A vermelho, o período entre a meia-noite e as 6 horas: 6 % dos acidentes e 13 % das vítimas mortais.
Os cinco distritos no topo concentram 45 % das vítimas mortais — mas é o índice de gravidade, à direita de cada barra, que identifica onde o sistema falha de forma mais severa.
À direita de cada barra, o índice de gravidade: vítimas mortais por 100 acidentes com vítimas.
O despiste representa 34 % dos acidentes mas 46 % das vítimas mortais. O atropelamento, não representado, soma 425 mortos.
Sete anos de dados, quinze dimensões de análise, três indicadores. Escolha a pergunta.
Não são leituras de opinião: decorrem diretamente dos dados que acabámos de percorrer.
Os acidentes voltaram a subir e os feridos graves aumentaram 13 % face a 2019. A questão já não é impedir que o acidente aconteça: é impedir que ele mate ou deixe sequelas permanentes.
Dentro da localidade, atropelamento e vulnerabilidade: 66 % dos feridos graves. Fora, energia de impacto: 3,0 mortos por 100 acidentes. Exigem instrumentos diferentes.
48 % das vítimas mortais são utilizadores vulneráveis; 18 % das mortes ocorrem em estrada sem iluminação, à noite. A variável comum é a energia do impacto.
O acidente em que a vítima não tem carroçaria, cinto nem airbag — apenas o corpo.
Depende do ano de referência. Face a 2019 há melhoria; face a 2021 — o primeiro ano sem confinamentos gerais — há quatro anos consecutivos de agravamento.
atropelamentos com vítimas, 2019–2025
−8,9 % face a 2019atropelamentos por dia, em média
+29,8 % face a 2021peões mortos
−41 % em 2025 face a 2019peões gravemente feridos
+18,7 % face a 2021A amarelo, 2020 e 2021 — anos de mobilidade restringida, que não servem de termo de comparação.
Vítimas classificadas como peão, incluindo as atingidas em acidentes que não foram classificados como atropelamento.
96,7 % dos atropelamentos acontecem dentro das localidades. Mas os 3,3 % restantes concentram 27 % das mortes.
Atropelamentos com vítimas, mortos e feridos graves, 2019–2025.
Categorias com pelo menos 100 atropelamentos registados. À direita, os valores absolutos.
Só 3,3 % dos atropelamentos ocorrem em via sem iluminação, à noite — mas produzem 19 % das mortes.
À direita, os valores absolutos. Mesmo com iluminação, a noite tem o dobro da gravidade do pleno dia.
A vermelho, as 18–21 h: 24 % dos atropelamentos e 28 % das mortes — o pior período do dia.
A vulnerabilidade do peão não é uniforme. Concentra-se nos dois extremos da vida — e sobretudo no mais velho.
dos peões mortos têm 65 ou mais anos (213)
têm 75 ou mais anos (114)
crianças até 14 anos gravemente feridas
dos peões mortos são homens (286)
A vermelho, os escalões a partir dos 65 anos.
A vermelho, 65 ou mais anos; a azul-claro, o escalão até aos 14 anos.
Microdados ao nível do acidente: via nominal, concelho, freguesia, coordenadas e hora exata.
Comparação com o mesmo período do ano — janeiro a junho — para não misturar sazonalidade com tendência.
atropelamentos, jan–jun 2026
+8,2 % vs. média 2021–2025vítimas mortais
+19,2 % vs. média 2021–2025feridos graves
+3,4 % vs. jan–jun 2025mortos por 100 atropelamentos, o índice de gravidade do semestre
A amarelo, 2020 e 2021 — mobilidade restringida. A vermelho, 2026.
2025 teve o semestre menos letal da série (14 mortos); 2026 já supera a média de 2021–2025 (26,0).
12,0 % dos atropelamentos ocorrem fora do arruamento — e concentram 61 % das mortes do semestre.
Categorias com pelo menos 8 atropelamentos no semestre.
Os 10 concelhos com mais feridos graves por atropelamento; entre parêntesis, o número de atropelamentos.
Apenas 2,8 % dos atropelamentos ocorrem entre a meia-noite e as 6 horas — mas produzem 26 % das mortes do semestre.
A vermelho, o período das 21 às 6 horas.
A amarelo, sexta-feira e sábado.
Os microdados de 2026 trazem coordenadas ao nível do acidente — e revelam um problema de qualidade que os totais nacionais escondem.
Comparando a latitude e longitude de cada registo com a localização típica do distrito indicado no mesmo campo, 12,9 % dos casos georreferenciados são incoerentes — a coordenada aponta para um local fora do distrito declarado.
33,7 % dos registos da GNR têm esta incoerência, contra 0,6 % da PSP. A diferença sugere um problema de processo de captura, não de uma entidade isolada.
É exatamente o problema que o Programa 11 se propõe corrigir: um Boletim Estatístico reformulado (M11.1) e um sistema de análise e alerta (M11.3) que valide a georreferenciação na origem, não depois.
Sete anos de tendência e um semestre de detalhe apontam para o mesmo diagnóstico.
19 % mais vítimas mortais do que a média de jan–jun de 2021 a 2025. Não é um pico isolado: soma-se a quatro anos consecutivos de agravamento na série 2019–2025.
Confirmado nos dois períodos: 5,2 mortos por 100 atropelamentos em EN nos sete anos; 6,8 fora do arruamento só no 1.º semestre de 2026, 12 vezes o arruamento.
Das 00 às 6 horas, 12,3 mortos por 100 atropelamentos em 2026; sexta e sábado somam 55 % das mortes do semestre. É a mesma janela identificada na série longa.
48 % dos peões mortos em sete anos têm 65 ou mais anos; 233 crianças ficaram gravemente feridas.
O que a Estratégia já prevê — e o que os dados sugerem acrescentar.
Os municípios gerem cerca de 80 % da rede rodoviária nacional, onde ocorre cerca de 37 % da circulação e se registam cerca de 45 % das vítimas mortais. É aí que estas medidas se aplicam.
| Medida | Objeto | Entidades |
|---|---|---|
| M1.1 | Elaborar e aprovar Planos Municipais de Segurança Rodoviária, integrando-os nos Planos de Mobilidade Urbana Sustentável. | ANSR, IMT, ANMP, Municípios |
| M1.2 | Construir «Zonas de Coexistência» e «Zonas 30» junto de áreas residenciais, ligadas por redes pedonais e cicláveis contínuas, seguras e acessíveis. | ANSR, Municípios |
| M1.3atropelamentos | Reformular os atravessamentos pedonais, aplicando as recomendações técnicas de projeto. | ANSR, Municípios |
| M2.1 | Definir zona crítica mínima em torno dos estabelecimentos escolares, com características de zona de coexistência. | ANSR, DGE, Escolas, Municípios |
| M2.2 | Construir trajetos seguros casa/escola e dinamizar as escolas municipais de segurança rodoviária. | ANSR, DGE, Escolas, Municípios |
| M3.1travessias | Construir zonas de transição («zonas portão») e implementar medidas de acalmia de tráfego nas travessias urbanas. | IP, ANSR |
As medidas em que os municípios são intervenientes são intervenções a executar por essas entidades — e não são suportadas por elas sozinhas.
As intervenções são executadas pelo município e validadas pelos seus órgãos próprios. Não há transferência de competências nem tutela sobre o mérito das decisões locais — há comparticipação e apoio técnico da ANSR.
A M1.1 é a porta de entrada: sem Plano Municipal de Segurança Rodoviária, o município não tem diagnóstico próprio nem base para priorizar a obra. As restantes medidas executam-se sobre o que o plano identificar.
Proposta técnica de priorização, complementar às medidas da Estratégia. Cada cartão indica o dado que a fundamenta.
Iluminação dedicada nas passadeiras, não apenas iluminação de via. Prioridade às travessias fora de aglomerado e às vias sem iluminação.
Porquê: 7,3 mortos por 100 atropelamentos sem iluminação, contra 0,85 em pleno dia.
Aplicar as zonas portão e a acalmia da M3.1 por ordem de risco, começando pelos atravessamentos de localidade em EN, IC e IP.
Porquê: 5,2 mortos por 100 atropelamentos em EN, 7× o arruamento.
Tempos de verde calculados para velocidade de marcha reduzida, refúgios centrais, redução da largura de atravessamento e rebaixamento de lancis.
Porquê: 48 % dos peões mortos e 40 % dos gravemente feridos têm 65 ou mais anos.
Ação dirigida às 18–21 h e aos meses de outubro a janeiro, sobre velocidade e cedência de passagem em atravessamento.
Porquê: 28 % das mortes ocorrem entre as 18 e as 21 h; 41 % entre outubro e janeiro.
Identificar e caracterizar as zonas de acumulação especificamente de atropelamento, com georreferenciação ao ponto, e não apenas as de sinistralidade geral.
Porquê: o atropelamento tem causas e soluções distintas da colisão e do despiste.
Executar a M2.1 e a M2.2 como primeiro projeto de cada município: é consensual, visível e tecnicamente simples.
Porquê: 233 crianças até 14 anos gravemente feridas em sete anos.
O erro humano é inevitável. A morte na estrada não é.
É por isso que os próximos ganhos de segurança rodoviária têm de ser desenhados no espaço urbano.
Portugal conseguiu uma redução histórica da sinistralidade rodoviária mesmo com mais deslocações.
Habituámo-nos a ver as mortes e os ferimentos graves na estrada como o preço inevitável da mobilidade.
As mortes e os ferimentos graves não são inevitáveis — são falhas do sistema, que podemos e devemos evitar.
Um modelo reativo espera pela tragédia e explica-a depois.
O planeamento do espaço público tem de reconhecer que as pessoas erram — e é por isso que o sistema tem de ser desenhado para que o erro não seja fatal.
A questão não é se as pessoas vão errar. Vão. A questão é se o sistema está desenhado para que o erro não se converta em morte.
A segurança não pode depender do comportamento perfeito de todos, sempre.
O desenho da via e a velocidade têm de respeitar a vulnerabilidade física.
Vias, velocidades, veículos, utilizadores e resposta pós-acidente funcionam em conjunto. Quando uma falha, as outras impedem a consequência fatal.
A velocidade é um multiplicador de risco: quanto mais elevada, maior a probabilidade de um acidente terminar em morte ou ferimento grave. No Sistema Seguro não é matéria de comportamento — é uma variável de projeto.
Arraste o cursor para revelar a transformação. Três cidades, um princípio.
Percorra cada reflexo tradicional à esquerda e veja-o dar lugar à resposta do Sistema Seguro à direita.
Uma forma prática de desenhar a mobilidade para que o erro humano previsível não resulte em morte nem em ferimento grave.
O Sistema Seguro reduz a energia dos conflitos e cria camadas de proteção nas vias, nas velocidades, nos veículos, nos utilizadores e na resposta de emergência.
A Estratégia Nacional de Segurança Rodoviária traduz a abordagem do Sistema Seguro em política pública, metas, indicadores e planos de ação.
Portugal desenhou a sua estratégia de segurança rodoviária a partir do princípio do Sistema Seguro.
A Estratégia traduz a abordagem do Sistema Seguro em política pública, metas, indicadores e planos de ação.
Utilizadores, infraestruturas, veículos e velocidades seguras, e resposta pós-acidente.
Não assenta em perceção, mas em dados, informação e factos. E prevê metas nacionais claras: de 626 para 313 vítimas mortais e de 2.089 para 1.044 feridos graves.
visaozero2030.ptA intervenção concentra-se nas áreas onde a avaliação identifica maior potencial de redução de mortos e feridos graves.
O Plano de Ação 2026–2027 organiza a execução da Estratégia em 15 programas e 100 medidas. Em destaque, os oito com incidência municipal. Selecione cada um.