O ficheiro de origem tinha 19 colunas.
Hoje tem 106.
Os 2 329 atropelamentos de janeiro a junho de 2026 chegaram num ficheiro com 19 campos e sem qualquer aferição. O que se segue é o que foi acrescentado, e o que foi corrigido, sem alterar um único dado de origem: tudo o que é novo vive em colunas próprias e traz consigo a medida do seu próprio erro.
O que passou a existir
O que agora se pode dizer, e antes não se podia
A precisão não é afirmada, é medida
O método de reconstrução foi aplicado aos acidentes cuja coordenada está correta e o resultado foi comparado com a posição verdadeira. É esse erro observado, e não uma estimativa, que acompanha cada coordenada recuperada.
Como foi feito, e com que meios
Nenhum dado foi comprado e nenhum sistema novo foi adquirido. Todas as fontes são abertas e o resultado é reprodutível por quem quiser repeti-lo.
| Fonte | O que deu | Custo |
|---|---|---|
| OpenStreetMap, extrato de Portugal | Vias, passadeiras, interseções, escolas, paragens, comércio, fronteiras administrativas. Cerca de 700 mil vias percorridas no computador local. | Zero |
| Censos 2021, BGRI do INE | 210 170 subsecções estatísticas de todo o país, com população residente e estrutura etária. | Zero |
| Reanálise ERA5, via Open-Meteo | Temperatura, precipitação, vento e nebulosidade à hora exata e no local de cada acidente. | Zero |
| Algoritmo solar da NOAA | Luz natural no momento do acidente. Não depende de fonte nenhuma: é cálculo. | Zero |
Cada camada foi confrontada com algo independente dela. O concelho apurado pelas fronteiras do OpenStreetMap foi comparado com o apurado pelas subsecções estatísticas do INE, em 2 267 acidentes: coincidem em 99,87 %, e as três divergências estão sobre a própria linha de fronteira. A posição do Sol foi calculada por dois algoritmos independentes, que concordam até à refração atmosférica, e o meio-dia solar bate com a teoria em todas as datas ensaiadas. O método de reconstrução foi medido nos acidentes cuja coordenada está correta.
Todo o processamento correu no computador local. Os únicos pedidos ao exterior foram pares de coordenadas e datas enviados ao serviço de meteorologia; nenhuma informação sobre vítimas, identificação de acidentes ou dados pessoais saiu para fora. O que isto custou foi tempo e método.
O que estes 2 329 atropelamentos
dizem que há a fazer
As conclusões que se seguem saem dos acidentes analisados, e não de princípios gerais. Cada recomendação traz o número de atropelamentos e de vítimas que alcança, e pode ser vista no mapa. Onde a base é frágil, está dito que é frágil.
O que os dados mostram
As passadeiras e a acalmia de tráfego foram procuradas num raio de 150 m em torno de cada acidente, as escolas até 400 m e as paragens até 250 m. Quando se diz que não há passadeira, não é informação em falta: é a ausência do equipamento nesse raio.